domingo, 15 de abril de 2012


 A Gorjeta

Numa época em que uma sorveteria custava muito menos que hoje, um menino de dez anos entrou na cafeteria de um hotel e sentou-se a uma mesa.
Uma garçonete aproximou - se e colocou um copo de água na frente dele.
-Quanto custa um sundae? – ele perguntou.
- Cinqüenta centavos – respondeu a garçonete.
O menino puxou algumas moedas do bolso e começou a contá-las.
- Bem, quanto custa o sorvete simples? – ele perguntou.
A essa altura, mais pessoas aguardavam por uma mesa, e a garçonete, perdendo a paciência, respondeu de maneira brusca:
- Trinta e cinco centavos!
O menino, mais uma vez, contou as moedas.
- Então vou querer o sorvete simples.
A garçonete trouxe o sorvete simples, a conta, colocou tudo na mesa e se afastou. O menino acabou o sorvete, pagou a conta no caixa e saiu.
Quando a garçonete voltou para arrumar a mesa onde havia estado o menino, ela começou a chorar silenciosamente á medida que limpava: ali, ao lado da taça vazia, encontrou uma moeda de dez centavos e uma moeda de cinco centavos.

O menino preferiu não pedir o sundae para poder deixar uma gorjeta para a garçonete.


Faça agora...
Era uma vez um garoto que nasceu com uma doença sem cura. Tinha dezessete anos e a qualquer momento poderia morrer. Viveu sempre na casa dos pais, sob os cuidados constantes da mãe.
Um dia decidiu sair sozinho. Com a permissão da mãe, caminhou pela sua quadra, olhando as vitrines e as pessoas que circulavam por ali. Ao passar por uma loja de discos, notou lá dentro uma garota, mais ou menos da sua idade, que parecia toda feita de ternura e beleza. Foi amor a primeira vista. Abriu a porta e entrou, sem olhar para mais nada que não a sua amada.
Aproximou-se timidamente do balcão onde ela trabalhava. Quando o viu, a garota abriu um sorriso e perguntou se podia ajudá-lo em alguma coisa. Era o sorriso mais lindo que já tinha visto. A emoção foi tão forte que ele mal conseguiu dizer que queria comprar um CD. Pegou o primeiro que encontrou, sem nem olhar de quem era, e disse:
- Este aqui...
-Quer que embrulhe para presente? –perguntou a garota, sorrindo ainda mais.
Ele balançou a cabeça afirmativamente.
-É para mim mesmo, mas eu gostaria que vc embrulhasse.
Ela deixou o balcão e pouco depois voltou com o CD muito bem embalado. Ele pegou o pacote, agradeceu e saiu, louco porém de vontade de ficar ali admirando aquela figura divina.
Daquele dia em diante, o rapaz passou a ir todas as tarde à loja de discos para vê-la e lá comprar um CD qualquer. E todas as vezes a garota deixava o balcão e depois voltava com um embrulho cada vez mais bem-feito, que ele ia guardando em seu armário sem sequer abrir.
Estava apaixonado, mas temia a reação da garota. Por mais que ela sempre o recebesse com um doce sorriso, ele não reunia coragem para convidá-la para sair e conversar. Comentou sobre seus temores com a mãe, que o incentivou a chamar a moça para sair.
Um dia, então, ele se encheu de coragem e foi até a loja. Como sempre, a moça se afastou para embrulhá-lo. Quando ela não o estava vendo, deixou sobre o balcão um papel com seu nome e telefone e saiu correndo da loja.

No dia seguinte, o telefone tocou e a mãe do jovem atendeu. Era a garota procurando por ele. Desconsolada, a mãe nem perguntou quem era. Começou a soluçar e disse:
-Então vc não soube...? Ele faleceu esta manhã. Mais tarde, quando entrou no quarto do filho para olhar suas roupas, a mãe ficou surpresa com a quantidade de CDs que encontrou no armário. Todos embrulhados! Ficou curiosa e resolveu abrir um deles. Ao fazê-lo, viu cair do pacote um pequeno pedaço de papel, onde estava escrito: “Vc é muito simpático. Não quer me convidar para sair? Eu adoraria.”
Emocionada, a mãe abriu outro CD. Dele também caiu um papel com os mesmos dizeres. E assim foi com todos que abriu: em cada um encontrou uma mensagem de carinho dirigida ao filho e a esperança da garota em conhecê-lo.

Pois assim é a vida: não espere demais para dizer a alguém especial aquilo que vc sente. Diga já! Amanhã pode ser tarde.